Sabiaguaba Selvagem: A Aventura é logo alí

Barco a remo no Cocó em Sabiaguaba
Tempo de leitura:12 minutos, 55 segundos

Você acha que precisa viajar horas e horas para sentir o gosto da aventura? Tá enganado, meu chapa!

Aqui mesmo, na nossa amada Fortaleza, tem um pedaço de paraíso que muita gente passa a vida inteira sem conhecer.

E o pior: passa por cima dela todos os dias e nem percebe! Tô falando da Sabiaguaba, aquele bairro lá no final da Venâncio, onde a cidade parece dar um suspiro e se render à natureza.

Pois é. Enquanto o povo se espreme na Beira-Mar, tem um refúgio selvagem pulsando, cheio de vida, trilhas emocionantes e uma energia que só quem pisa nas dunas consegue explicar.

E o melhor de tudo: dá pra ir de manhã, passar o dia inteiro se esbaldando, e voltar pra casa à noite com o coração cheio e o corpo pedindo mais.

Bora comigo? Vou te mostrar como ter uma experiência diferenciada, segura e inesquecível nesse pedaço de Ceará selvagem que insiste em existir bem debaixo do nosso nariz.

Onde a cidade encontra a selva: um respiro no meio do caos

Sobe e desce de morro, sol na cara, vento batendo… e de repente, a vista se abre.

Olha só que parada doida: a Sabiaguaba é um bairro com pouco mais de 2.800 almas corajosas. Corajosas porque moram num lugar que é pura resistência.

Resistência das dunas, do mangue, do rio, da cultura. É como se a natureza dissesse: “Até aqui, ó. A cidade chega até aqui, o resto é meu.”

E o nome? Sabiaguaba vem do tupi-guarani e significa “comida de sabiá”. Já pensou que poesia? O passarinho vem aqui, encontra seu alimento, e a gente… a gente encontra paz. Encontra aventura. Encontra a gente mesmo.

Ali, ó, o Rio Cocó se encontra com o mar. Água doce e salgada se abraçando num romance que dura milhões de anos. É lindo demais! Parece até mentira que isso tudo é dentro da capital.

Visão da Sabiaguaba com a Duna da Baleia encostada na avenida com a ponte ao fundo
Visão da Duna da Baleia encostada na avenida com a ponte ao fundo – Fonte: OPovo+

A Trilha Encantada: cuidado com o pé e com o coração!

Agora segura essa: você já ouviu falar da Trilha Encantada?

Pois é, nem eu sabia que existia até colocar o pé na estrada. E olha que sou curioso e estudioso da cidade! Pois lá na Sabiaguaba tem uma trilha que é pura magia.

Começa com um ritual de pedir licença. Isso mesmo! O Átila, guia da @sabiaguabaencantada, ensina: a gente tira o chinelo, agradece, pede permissão para entrar.

Pode parecer bobagem para alguns, mas quem já sentiu a terra quente nos pés e o vento soprando no rosto sabe: a natureza ouve. Ela sente. Ela permite.

A trilha é nível 1, só duas subidas leves, mas que entregam um espetáculo e tanto. A gente passa por dentro da mata do Miriu, ouvindo o canto dos pássaros que parece orquestra.

Tem cipó pendurado, que o pessoal usa pra guiar quem não enxerga. Pois é! A trilha é acessível pra pessoas cegas, com bastões especiais e áudio descrição. É inclusão de verdade, não é só conversa fiada.

E de repente… PÁ! A mata acaba e o mundo se abre.

Ali, ó! É o Parque Natural Municipal das Dunas da Sabiaguaba!

Dunas com mais de 4.600 anos, segundo os estudos. Quatro mil e seiscentos anos! Sítio arqueológico, frutas nativas, piscinas naturais que se formam no inverno…

É muita riqueza. A gente respira fundo e parece que o tempo para.

Cuidado, aventureiro de plantão: leva água, protetor solar, repelente e um calçado confortável. Mas se quiser sentir a terra, tira o chinelo em alguns trechos. Só fica esperto com galho seco e formiga, né?

Na Sabiaguaba, a Duna do Pôr do Sol ou Duna da Baleia
Duna do Pôr do Sol ou Duna da Baleia – Fonte: OPovo+

O portal pro infinito: subindo a Duna do Pôr do Sol

Agora, se tem uma coisa que mexe com a gente é subir a famosa Duna do Pôr do Sol. Conhecida também como Duna da Baleia, ela é a vedete da Sabiaguaba.

Fica ali, na frente do Complexo Gastronômico, gigante, imponente, chamando.

E aí, bora subir?

Tem jeito fácil, tem jeito difícil. Tem gente que sobe de frente, de cara pro paredão de areia. Eu, hein? Prefiro as laterais, mais suaves, pra ir curtindo a vista aos poucos.

Mas cada um com seu cada um, o importante é chegar lá em cima.

Quando você chega no topo, aí sim a ficha cai.

A vista lá de cima é de cair o queixo! Dá para ver o Rio Cocó serpenteando, o encontro com o mar, a cidade ao longe, as outras dunas…

E o céu! O céu parece um pintor louco, misturando laranja, rosa, roxo, num espetáculo que muda a cada minuto.

O pessoal sobe com violão, com petisco, com a galera. É luau, é bate-papo, é contemplação. É aquele momento que a gente percebe como somos pequenos e como a vida é grande.

Dica de ouro: sobe umas 16h, pega o sol ainda alto, curte a vista, tira umas fotos, e espera o show começar. Mas ó, leva uma lanterna pro celular, porque na volta escurece rápido e o caminho pede cuidado.

Do alto à maré baixa: os aquários naturais

Depois de subir, que tal descer pro mar?

Quando a maré baixa, a Sabiaguaba revela outro segredo: piscinas naturais que se formam na beira da praia. E não é só água, não! Tem peixinho colorido de montão!

Parece aquário, mas é de verdade, ao ar livre, com o céu de fundo.

A molecada adora! Fica caçando os bichinhos, mergulhando de máscara, se esbaldando. E os adultos também, porque não tem idade pra redescobrir a criança que vive dentro da gente.

Mas calma lá, aventureiro consciente: os peixes estão na casa deles. A gente visita, observa, admira, mas não leva nada além de foto e memória.

Bateu a foto? Boa! Agora deixa eles seguirem a vidinha em paz. Isso é preservação, é respeito, é saber que amanhã vai ter mais peixe para outro visitante se encantar.

Navegando no mangue: o passeio de barco com seu Jaime

E por falar em respeito, que tal conhecer o mangue de pertinho?

Ali no Rio Cocó, os barqueiros tão sempre prontos pra um passeio inesquecível. Seu Jaime, figuraça, leva a gente pra navegar por 25 a 30 minutos, por apenas R$25 por pessoa(baixa estação).

O barco comporta 20 passageiros mais dois tripulantes.

É aventura em família, é programa de amigo, é rolê de casal.

A gente vai deslizando, vendo o manguezal de um lado, a ponte da Sabiaguaba do outro, construída em 2003, ligando o Caça e Pesca à região.

Tem parada num píer, onde dá pra descer, comer um peixe, tomar um banho de rio.

O Jaime conta que tem gente da Messejana, da Praia do Futuro, que nunca fez esse passeio. Passa a vida inteira ali do lado e nunca entrou num barco pra ver o próprio bairro de outra perspectiva.

É ou não é uma loucura? Às vezes a gente vive correndo, e esquece de olhar para o lado. Esquece que a aventura pode estar logo ali, na esquina, esperando a gente desacelerar.

Gastronomia com vista: o camarão agrega e outras tentações

Agora, se tem uma coisa que a Sabiaguaba sabe fazer bem é receber de boca aberta. E de barriga vazia também, porque a gastronomia é ponto alto!

No Complexo Gastronômico da Sabiaguaba, inaugurado em março de 2022, tem 17 quiosques modernos, substituindo as antigas barracas, mas mantendo a alma dos antigos barraqueiros.

Funciona todo dia, menos terça, das 10h às 22h.

Dona Bibi, que trabalha ali desde a infância, serve um sururu de comer rezando. Arroz de camarão, atolado de caranguejo, muqueca… é tanta coisa boa que a gente fica sem saber por onde começar.

E o melhor de tudo: você come olhando para o rio. Olhando para o mangue. Olhando para as dunas. A natureza é o telhado, é a parede, é a vista. Não tem restaurante chique que pague essa sensação.

Memória viva: o museu que conta histórias

E não pense que é só natureza e comida, não. No Complexo, tem o Centro de Memória Raízes da Sabiaguaba, um espaço que preserva a história viva do lugar.

A Isabele, que trabalha lá, apresenta os nomes dos primeiros moradores: Dona Chiquinha, Seu Nivardo, que eram os avós dela! Os primeiros barraqueiros, os primeiros a construir ali suas vidas.

Tem uma casa que representa três fases da construção local: a de palha de coqueiro, a de taipa (pau a pique) e a de alvenaria.

Dentro, pote de barro, fogão a lenha, panela de barro, concha de coco… cada detalhe contando um pedaço da história.

E tem mais: tarrafas, gererês, instrumentos de pesca, arcada de tubarão, tartaruga, cavalo-marinho. É um tesouro!

Dona Alice, 89 anos, moradora mais antiga, conta:

“Aqui era só mato, só tinha as varedinha da gente andar”. Ela nasceu e foi criada ali, viu tudo mudar, mas mantém a alegria de viver. “Criei sete filhos e tô aqui, firme e forte”, diz ela, com um sorriso que ilumina.

Encontrar dona Alice foi como encontrar a própria alma da Sabiaguaba. Uma alma que resiste, que preserva, que ensina.

Ecomuseu: aprendizado na prática

Se você é daqueles que gosta de aprender fazendo, o Ecomuseu Natural do Mangue é parada obrigatória. Fica na Rua Professor Valdevino, 48, aberto todo dia das 9h às 17h.

É um processo de sensibilização, com circuito de atividades e educação ambiental. Tem aula de campo, reflorestamento de manguezais, palestras, exposições. E o melhor: canoagem ambiental!

Ih, é demais! Você rema pelas águas do rio, mas não é só pra passear, não. É para recolher lixo! Isso mesmo: você ajuda a limpar o mangue enquanto se diverte.

Eles fornecem o saco de lixo, a canoa, a experiência. No final, já em sala de aula, a galera coloca em prática tudo que aprendeu.

Estudante de escola pública paga R$10, particular R$20, e visitantes em geral também R$20. Preço justo por uma experiência que transforma.

Fauna local, capivara no meio da vegatação – Fonte: OPovo+

Preservação não é chatice, é sobrevivência!

Agora, vamos combinar uma coisa?

Preservação ambiental não é papo de ecochato, não. É sobrevivência! É querer que nossos filhos, nossos netos, possam subir nessas dunas, mergulhar nessas piscinas, ouvir esses pássaros.

A Sabiaguaba tem duas unidades de conservação: o Parque Natural Municipal das Dunas e a Área de Proteção Ambiental. Foram criadas em 2006 justamente pra garantir que esse paraíso não vire pó.

Então, quando você for:

  • Leva seu lixo de volta. Ou melhor, leva até mais do que trouxe!
  • Nada de copo descartável, ok? Leva sua garrafinha, sua sacola retornável.
  • Não pisa na vegetação nativa. Tem trilha para isso.
  • Observa os bichos de longe. Eles não precisam do seu estresse.
  • Se for acampar (e pode!), escolhe local adequado, fogueira só onde é permitido, e silêncio depois de certa hora. A mata dorme cedo!

Na trilha encantada, eles ensinam que a natureza fala. O vento é a voz, o chão é o caderno, cada passo é lição. A gente só precisa aprender a ouvir.

“Educação ambiental, turismo sustentável, inclusão.” Esse é o lema da Sabiaguaba Encantada. E é bonito demais ver isso acontecendo na prática.

Rio Cocó na Sabiaguaba
Rio Cocó – Fonte: Diário do Nordeste

Aventura saudável: preparação é tudo!

Quer se jogar na aventura mas sem perrengue? Anota essas dicas de quem já ralou o joelho na subida:

  1. Hidratação é lei! O sol de Fortaleza não perdoa. Leva água, muita água. Suco, fruta, tudo ajuda.
  2. Protetor solar e repelente: amigo inseparável. A mata é linda, mas os mosquitos também querem seu quinhão.
  3. Roupa adequada: leve, de preferência de secagem rápida, e um agasalho pro fim da tarde, porque o vento esfria.
  4. Tênis ou chinelo? Depende. Pra trilha, tênis fechado é mais seguro. Pra duna, chinelo ou até pé no chão (com cuidado!).
  5. Lanterna: se for ficar pro pôr do sol, não esquece. Escurece rápido e no mato não tem poste.
  6. Câmera ou celular carregado: você vai querer registrar. Mas não esquece de guardar um tempinho só pra sentir, sem filtro, sem tela.
  7. Comida leve: barrinha de cereal, frutas, castanhas. Energia na medida certa pra não pesar.
  8. Respeito aos limites: se o corpo pede pra parar, para. A natureza agradece e você evita um acidente.

Se liga no epsódio do Curiando Fortaleza em Sabiaguaba

Banho de cachoeira? Não tem, mas tem rio!

Olha, confesso: eu também sou apaixonado por um banho de cachoeira. A água fria descendo, aquele negócio revigorante… Mas na Sabiaguaba, a gente troca a cachoeira pelo rio. E não é troca, não! É outra experiência.

O Rio Cocó, ali no encontro com o mar, tem hora que parece piscina de tão calmo. A água é escura por causa do mangue, mas é limpa, é vida. Dá para boiar, dar um mergulho, brincar com as crianças.

E tem a praia também, com ondas mais fortes, para quem gosta de um banho de mar mais agitado. Só cuidado: o mar ali é bravo, tem correnteza. Melhor ficar nas piscinas naturais ou na beirinha.

A alegria é a mesma, a sensação de renovação também. A diferença é que, em vez de pedra, tem areia. Em vez de queda d’água, tem o vento. É o Ceará se mostrando de outro jeito.

Rio Cocó e a ponte que liga a Sabiaguaba ao Caça e Pesca e a Praia do Futuro
Rio Cocó e a ponte que liga a Sabiaguaba ao Caça e Pesca e a Praia do Futuro – Fonte: Diário do Nordeste

Conclusão: O chamado da mata, você vai ou não vai?

Então é isso.

A Sabiaguaba tá ali, pulsando, esperando. Esperando você parar o carro, descer, sentir o vento, ouvir os pássaros, pisar na areia quente, molhar os pés no rio, subir a duna, comer um camarão, conhecer uma história, se reconectar.

Não tem desculpa. É perto. É acessível. É seguro (com os devidos cuidados). É transformador.

A gente vive numa correria doida, vidro fechado, ar condicionado, tela de celular. A gente esquece que tem chão debaixo dos pés, que tem céu acima da cabeça, que tem vida pulsando ao redor.

A Sabiaguaba é um lembrete. Um lembrete de que a aventura não está longe. De que o selvagem insiste em existir. De que a gente ainda pode se perder para se encontrar.

Bora curiar? Bora nessa!

E não esquece, ó: segue aí @sabiaguabaencantada, acompanha as programações, se programa, e vem. Vem com respeito, vem com alegria, vem com o coração aberto.

A natureza agradece. E você, meu amigo(a), você volta outro(a).

Valeu, galera! Próximo final de semana tem mais. Mas até lá, o mato tá chamando. E eu, cá entre nós, vou atender o chamado.

Tchau e bora pro mato! 🌿🌅🦀

Fontes: Diário do Nordeste, OPovo+, Sema, SOP CE


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