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Essa é mais uma história de aventura quando eu e uns amigos fomos para a natureza dura e selvagem do sertão central do Ceará. Exatamente quando subimos o inselberg chamado de Serra da Gaveta, nas terras da fazenda de Santa Fé. 

A trilha da aventura começa na parede do açude e segue entre mata nativa e lajeiros até sua subida, nos lajeiros, formados por granito cinza que se ergue por mais de 300m em um bloco imenso de contornos e torções.

As panelas de pedra, o arco e a cabeça da baleia ficam no topo da Serra da Gaveta, e chegar lá não é fácil. E como toda aventura na natureza que fazemos, ela começou com um plano, uns dias antes.

E foi mais ou menos assim, na quinta trocamos umas ideias pelo whatsapp sobre as trilhas perdidas nos sertões do Ceará. Sabe aquelas trilhas abandonadas e quase nunca percorridas por humanos? São essas que buscamos.

E a Trilha da Santa Fé é uma trilha dessas…

Assim, depois de conversamos e bolarmos um plano simples de viagem, seguimos na sexta à tarde para a cidade do centro do Ceará, nas terras dos monólitos de Quixeramobim.

A Manhã Onde Começa a História de Aventura

Saímos de Quixibim as cinco da manhã para o inselberg do Salva Vidas, de lá seguimos a Trilha do Índio até a fazenda de Santa Fé, de onde entraríamos na caatinga selvagem até a base da montanha de pedra chamada de Serra da Gaveta.

A serra é um enorme inselberg que se eleva nas planícies e segue em forma de um paredão ereto até o azul do céu. Não dá para subir sem equipamento de rapel por lá.

O outro lado é uma escarpado de lajes e vales inclinados 45% que permitem uma subida natural, muito embora exija cuidado.

Uma Trilha de Sol, Pedra e Cactos

Apesar de curta, a trilha tem cerca de 3 km, e de classificada como moderada pelo wikiloc (sim, nós salvamos nossas trilhas lá) não é uma trilha do tipo que vai quem quer.

Não se iluda, são aproximadamente 2 km dentro da caatinga seguindo por veredas e trechos de riachos secos, na superfície plana dos vales, mas o desafio só começa de verdade quando você chega na base do inselberg.

Lá as coisas começam a ficar divertidas e você vai subindo por entre pedras roladas, xiquexiques, mandacarus, muito sol e arbustos espinhentos dos mais variados tons de verde e marrom.

Sábado de Aventura com Muitas Histórias

Toda a região é deserta, e existem vários casos de aparições de óvnis e outros casos mal explicados, todos contados pelos poucos moradores da região.

São bolas de fogo e águas encantadas as mais comuns de se ouvir. Realmente, olhando de longe enquanto subimos mais e mais a encosta dá para imaginar todo tipo de mistérios naquelas terras longas e distante do mundo humano.

Ouvimos tantas histórias que decidimos voltar e fazer umas gravações de alguns moradores contando suas experiências sobrenaturais e colocaremos no Youtube depois, já estou avisando, é muita coisa sinistra.

Seguimos por entre rastros de mocó e pedras soltas embaixo da folhagem seca que cobre parte da trilha, é preciso cuidado para não escorregar ou deslocar o pé.

Mesmo com todo cuidado um espinho atravessa a pele de minha mão esquerda. Sangra muito.

Vamos fazendo pausas para água quando encontramos alguma sombra que caiba parte de nossos corpos e fazemos uma parada para o café da manhã no meio da montanha de pedra.

Um pequeno plano apareceu entre arvores nativas o suficiente para servir de ponto de apoio, estávamos em cinco e a merenda foi suco e bolachas.

Subindo Para a Pedra da Baleia

Até onde poder enxergar o que se vê é caatinga e mais monólitos afastados quilômetros de distancias um do outro. Essa é uma área frequentada por animais selvagens e já vimos vários rastros deles, assim como ossos ruídos de pequenos animais.

Por fim chegamos a zona mais alta da serra. No topo de inselberg muitas pedras em formatos estranhos se espalham entre a superfície contorcida do granito cinza.

Uma delas, e a primeira que vejo é a Pedra da Baleia, o nome foi dado porque ela parece a cabeça de um cachalote com a boca aberta, emergindo igual a Moby Dick em busca de vingança.

No entorno existem muitas fendas e pequenas passagens entre as rochas que servem de abrigo para os animais.

Fezes de pequenos roedores e sobras de comida como sementes de frutas estão na maioria delas. Algumas fendas levam para vales com arvores frondosas abaixo de nós e outras nos esperam para subirmos ainda mais rumo a “gaveta”.

A Primeira História de Aventura na Gaveta da serra

A primeira vez que subi este inselberg foi em 2015, eu e um amigo, e desde aquela primeira aventura fiquei com planos de retornar com mais tempo para fazer um registro da trilha. 

A primeira história posso resumir assim: Saímos de madrugada de Fortaleza e seguimos direto até a fazenda da Santa Fé, o acesso não é complicado e logo cedo estávamos checando as mochilas.

A barra do dia já clareada no horizonte e seguimos por uma antiga trilha que levava aos velhos currais, da época de ouro da fazenda. O percurso foi mais longo e em alguns trechos aproveitamos para explorar veredas que surgiam do nada e que desciam até o riacho seco.

De uma dessas veredas saímos no mais antigo açude do lugar, o açude dos milagres, berço de histórias misteriosas da época da grande seca.

Pois bem, da beira do açude havia um descampado ao leste e foi para lá que seguimos cruzando todo o descampado até sairmos em um jardim exótico de cactos e pedras.

De lá subimos direto, sem paradas até o alto do inselberg da Santa Fé, onde tentamos localizar um livro escondido de muito tempo atrás, guardado em uma loca – é o que dizem – pelos primeiros aventureiros que acamparam no lugar.

No livro estão guardadas historias e dicas de como era o lugar naquele tempo. O livro tem apenas valor sentimento, pelo gosto da descoberta.

Mas nada foi encontrado. E no final da tarde descemos o gigante monólito e voltamos para casa com aquele gosto de volta.

Aqui estamos nós

E agora estou aqui de novo nestes cenários hostis e inóspitos do velho sertão ao lado de bons companheiros, registrando nossa aventura com fotos e filmagens para, em breve, produzir um documentário sobre as trilhas perdidas dos sertões do Ceará.

Por hora seguimos agora descendo até um vale encravado bem no centro da montanha de pedra. Há um único acesso em uma fenda estreita e brusca. 

O cheiro de onça aparece bem na borda da pedra. Dani, parceira de aventura que estava entre nós quer descer, eu hesito. Já vivi momentos complicados em situações parecidas.

Os outros nos chamam. Nossos olhos se encontram com a promessa de na próxima descer, quando viermos para acampar já que nossa descida atrasaria muito o grupo.

De volta a Gaveta no alto da montanha

Voltamos os cinco até a gaveta, uma área de cerca de 30 metros de extensão e três de profundidade, aliás, a descida é feita usando as arvores próximas da borda de pedra.

Lá descansamos por trinta minutos e enquanto descansávamos encontramos rastros de caçadores clandestinos, com plásticos queimados em uma fogueira armada abaixo do arco de pedra que cruza parte da gaveta.

Descansamos nas sombras das paredes de granito liso comendo os lanches que levamos já prontos. Recolhemos o lixo, o nosso e o dos caçadores, e rumamos para a descida da trilha, já estava na hora de voltarmos para casa.

De volta pra casa

A descida foi tranquila e o sertão fica encantador no crepúsculo. 

Há toda uma energia, uma paixão, um mistério… tudo parece sair junto com as primeiras sombras da noite. E assim, apaixonados e silenciosos, seguimos a trilha de volta até a fazenda, onde o carro que nos levaria de volta a cidade dos homens nos espera.

Algumas dicas:

#1 – O sertão central do Ceará tem muitas trilhas para ecoturismo, a maioria delas exige experiência do trilheiro. Evite andar sozinho, mesmo com GPS.

#2 – Sempre ande com água reserva, a caatinga não costuma receber bem seus visitantes.

#3 – A região entre Quixadá e Quixeramobim concentra os melhores inselbergs e platôs para aventuras.

#4 – Existem relatos de onça parda e veados, entre outros animais de médio porte. Tenha os cuidados necessários.

Site da Prefeitura de Quixadá

Site da Prefeitura de Quixeramobim

Guia de áreas de Camping do Ceará.

Concluindo

História de aventura é o eu não falta, e vou escrevendo na medida do possível, todas as já vividas aqui. Se desejar compartilhar a sua, me escreve aqui tá ok? Abraço!

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